Fora tudo isso, tudo bem.

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ReviewReviewReviewReviewReviewFor la neŭtralismon!May 13, '08 4:29 PM
for everyone
Category:Books
Genre: Nonfiction
Author:Eŭgeno Lanti
Cheira deliciosamente ao entre-guerras!! Foi isto que percebi, algo entusiasmado, algo comovido, após ler esta pequena brochura do início da década dos vinte recentemente publicada na Internet. For la neŭtralismon! (ou, em português de gente simples, Xô, neutralismo!), é daquelas obras na história cujo silêncio sobre ela acometido mais revela do que esconde. É realmente de se estranhar que um texto - deixemos de lado as falhas típicas de sua época - tão lúcido acerca do movimento esperantista e do papel do esperanto na humanidade tenha sido posto de lado por tanto tempo. De fato, creio que até hoje deva incomodar a certos núcleos de praticantes da língua internacional, os quais o autor chama de dândis, afirmações como esta que consta no primeiro prefácio, de fevereiro de 1922: "La kvazaŭ religieca atmosfero en kiu kreskis la esperanta movado nebuligas ofte la klaskonscion de fervoraj proletesperantistoj." ("A atmosfera quase religiosa no qual cresceu o movimento esperantista freqüentemente confunde a consciência de classe de fervorosos proletários-esperantistas.")

O texto é bastante claro em sua proposta. Escrito por um militante comunista francês fiel ao marxismo (candidamente sectário, mas muito mais tolerante que a média), ele pretende colocar o esperanto no seu devido local de instrumento para transformação da sociedade, e não como um ideal tendo fim em si mesmo. Para Lanti - pseudônimo de Eugène Adam, autor do texto - esse comportamento supostamente neutro só tem razão de ser sob uma lógica burguesa - seja esta leviana ou mesmo oportunista. Não, o esperanto de forma alguma é neutro, ele tem um objetivo nítido de transformar a realidade. E na ótica do Sennaciulo ("Anacional", codinome com o qual o autor assina a brochura), essa transformação perpassa a libertação da classe trabalhadora e a desapropriação dos bens - inclusive intelectuais - da burguesia. E para que os esperantistas, em especial os trabalhadores e os envolvidos em causas sociais, ingenuamente não se misturem com toda sorte de inimigos da revolução que utilizam o esperanto (burgueses, capitalistas, financistas, militares, policiais, bispos, juízes, tiranos), ele conclama:

"Nune kunagado estas logike akceptinda nur inter samcelanoj. Socialistoj, sindikatistoj, komunistoj, anarkistoj, unuvorte ĉiuj revolucianoj (...) povas, devas kuniĝi por pli efike trudi la alprenon de esperanto al la revolucianaro."
(“Atualmente um ato em conjunto é logicamente aceitável apenas entre pessoas que têm em comum o mesmo objetivo. Socialistas, sindicalistas, comunistas, anarquistas, em uma só palavra, todos os revolucionários (...) podem, devem se unir para mais eficientemente conduzir o emprego do esperanto aos adeptos da revolução.")

A fim de motivar seus companheiros-samideanos, Lanti arremata seu manifesto lançando mão de uma frase então famosa e até hoje cara entre esperantistas, "ni fosu nian propran sulkon", isto é, cavemos nosso próprio sulco, façamos o trabalho que nos é devido, que nos cabe fazer. O resto serão as circunstâncias históricas que dirão.

LANTI, Eŭgeno. For la neŭtralismon! s/l, Eldona Fako Kooperativa de SAT, s/d. 32p. Disponível em: http://www.satesperanto.org/eldonkooperativo/IMG/pdf/for_la_neutralismon.pdf. Acesso em: 13 de maio de 2008.


11/mai/2008


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